Nervos cranianos
Uma abordagem clínica dos 12 pares, organizada por função, reflexos e padrões de lesão central ou periférica.
Comece pelo que precisa explicar.
Leia os objetivos, tente responder mentalmente e só então avance. Isso transforma leitura passiva em recuperação ativa.
- 01Testar os 12 pares cranianos
- 02Interpretar arcos reflexos
- 03Diferenciar lesões nucleares, fasciculares e periféricas
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- 01Testar os 12 pares cranianos
Teste bilateralmente I olfato quando indicado; II acuidade, campos e aferência pupilar; III/IV/VI motilidade, pupilas e pálpebras; V sensibilidade facial/córnea aferente e mastigação; VII mímica/córnea eferente; VIII audição/vestíbulo; IX/X voz, palato e deglutição; XI ombro/cabeça; XII língua. Em paralisia aguda isolada do III, pupila poupada não exclui aneurisma: obtenha neuroimagem vascular conforme o contexto atual.
- 02Interpretar arcos reflexos
III inerva reto medial, superior, inferior, oblíquo inferior e elevador; IV inerva oblíquo superior; VI inerva reto lateral. Paralisia de III completa deixa olho 'para baixo e para fora', ptose e possível midríase. IV causa diplopia vertical pior ao descer escadas; VI impede abdução. Poupança pupilar pode favorecer mecanismo microvascular, mas não exclui aneurisma ou compressão Paralisia aguda do III exige avaliação urgente e neuroimagem vascular conforme o contexto, mesmo com pupila poupada FLM lesionado causa oftalmoplegia internuclear
- 03Diferenciar lesões nucleares, fasciculares e periféricas
Na paralisia facial supranuclear, fronte é relativamente poupada pela inervação bilateral; na lesão periférica do VII, toda hemiface ipsilateral enfraquece. Lesão de XII periférica desvia língua para o lado lesionado; lesão corticonuclear tende a desviar para o lado fraco, contralateral à lesão cortical. Disfonia e úvula desviada sugerem X Fraqueza de trapézio aponta XI Déficits múltiplos contíguos sugerem base do crânio ou seio cavernoso
Organize por tarefa
I olfato; II visão; III, IV e VI motricidade ocular; V sensibilidade facial e mastigação; VII mímica, paladar anterior e lacrimejamento; VIII audição e equilíbrio; IX e X deglutição, fonação e vísceras; XI esternocleidomastoideo/trapézio; XII língua. Essa lógica reduz memorização solta.
- III carrega parassimpático pupilar
- V1 é aferente do reflexo corneano; VII é eferente
- IX é aferente do gag; X é eferente
Explique, sem consultar o texto, como funciona “Organize por tarefa”.
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I olfato; II visão; III, IV e VI motricidade ocular; V sensibilidade facial e mastigação; VII mímica, paladar anterior e lacrimejamento; VIII audição e equilíbrio; IX e X deglutição, fonação e vísceras; XI esternocleidomastoideo/trapézio; XII língua. Essa lógica reduz memorização solta.
Pontos indispensáveis- III carrega parassimpático pupilar
- V1 é aferente do reflexo corneano; VII é eferente
- IX é aferente do gag; X é eferente
Olhos como localizadores
III inerva reto medial, superior, inferior, oblíquo inferior e elevador; IV inerva oblíquo superior; VI inerva reto lateral. Paralisia de III completa deixa olho 'para baixo e para fora', ptose e possível midríase. IV causa diplopia vertical pior ao descer escadas; VI impede abdução.
- Poupança pupilar pode favorecer mecanismo microvascular, mas não exclui aneurisma ou compressão
- Paralisia aguda do III exige avaliação urgente e neuroimagem vascular conforme o contexto, mesmo com pupila poupada
- FLM lesionado causa oftalmoplegia internuclear
Explique, sem consultar o texto, como funciona “Olhos como localizadores”.
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III inerva reto medial, superior, inferior, oblíquo inferior e elevador; IV inerva oblíquo superior; VI inerva reto lateral. Paralisia de III completa deixa olho 'para baixo e para fora', ptose e possível midríase. IV causa diplopia vertical pior ao descer escadas; VI impede abdução.
Pontos indispensáveis- Poupança pupilar pode favorecer mecanismo microvascular, mas não exclui aneurisma ou compressão
- Paralisia aguda do III exige avaliação urgente e neuroimagem vascular conforme o contexto, mesmo com pupila poupada
- FLM lesionado causa oftalmoplegia internuclear
Central versus periférico
Na paralisia facial supranuclear, fronte é relativamente poupada pela inervação bilateral; na lesão periférica do VII, toda hemiface ipsilateral enfraquece. Lesão de XII periférica desvia língua para o lado lesionado; lesão corticonuclear tende a desviar para o lado fraco, contralateral à lesão cortical.
- Disfonia e úvula desviada sugerem X
- Fraqueza de trapézio aponta XI
- Déficits múltiplos contíguos sugerem base do crânio ou seio cavernoso
Explique, sem consultar o texto, como funciona “Central versus periférico”.
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Na paralisia facial supranuclear, fronte é relativamente poupada pela inervação bilateral; na lesão periférica do VII, toda hemiface ipsilateral enfraquece. Lesão de XII periférica desvia língua para o lado lesionado; lesão corticonuclear tende a desviar para o lado fraco, contralateral à lesão cortical.
Pontos indispensáveis- Disfonia e úvula desviada sugerem X
- Fraqueza de trapézio aponta XI
- Déficits múltiplos contíguos sugerem base do crânio ou seio cavernoso
Da estrutura ao raciocínio clínico
O exame dos nervos cranianos é um exercício de localização: receptor, nervo periférico, forame, núcleo, fascículo e conexão supranuclear podem produzir fenótipos semelhantes com combinações diferentes.
Organize por modalidade e arco reflexo
I conduz olfato; II, visão e aferência pupilar; III, IV e VI movem os olhos; V leva sensibilidade facial e motor da mastigação; VII move a face e participa de paladar/lágrima/saliva; VIII conduz audição e equilíbrio; IX e X integram faringe, laringe e vísceras; XI move esternocleidomastoideo/trapézio; XII move a língua. Reflexos testam pares em conjunto.
- Fotomotor: II aferente e III eferente; corneano: V1 aferente e VII eferente.
- Náusea/faríngeo depende de IX e X, mas resposta é variável em pessoas saudáveis.
- Vestíbulo-ocular usa VIII como aferência e III/IV/VI como eferência coordenada.
Central e periférico não são equivalentes
Córtex envia fibras corticonucleares geralmente bilaterais, com exceções funcionais importantes. Metade inferior da face recebe predomínio contralateral, enquanto fronte recebe inervação bilateral: lesão hemisférica tende a poupar fronte; lesão do núcleo ou nervo VII afeta toda hemiface ipsilateral. Língua desvia para o lado fraco em lesão periférica de XII e, em geral, para o lado oposto à lesão cortical.
- Disfagia central pode ser bilateral e coexistir com sinais de trato longo.
- Oftalmoplegia internuclear é lesão do fascículo longitudinal medial, não do nervo abducente isolado.
- Paralisia do olhar conjugado localiza circuitos pontinos ou frontais acima dos nervos individuais.
Forames criam síndromes de vizinhança
Fissura orbitária superior reúne III, IV, V1 e VI; se o nervo óptico também é atingido no ápice orbitário, há perda visual. Seio cavernoso contém carótida, simpático, III, IV, V1, V2 e VI, sendo VI particularmente vulnerável. Forame jugular reúne IX, X e XI; canal do hipoglosso, XII. Lesões expansivas ou inflamatórias nesses compartimentos combinam déficits periféricos sem sinais de trato longo.
- Dor facial com oftalmoplegia aponta para cavernoso/orbitário mais que tronco isolado.
- Rouquidão, disfagia e queda do ombro sugerem região do forame jugular.
- Padrão de múltiplos nervos contíguos deve ser localizado antes de atribuído a neuropatia sistêmica.
Conecte antes de avançar
- 1
Teste cada par em ambos os lados e documente aferência e eferência separadamente.
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Resposta esperadaTeste ambos os lados e registre separadamente a entrada e a saída: II como aferente e III como eferente pupilar; V1 aferente e VII eferente corneano; VIII aferente vestibular e III/IV/VI eferentes do VOR. Diga qual estímulo foi aplicado, qual resposta ocorreu e em que lado.
Pontos indispensáveis- Teste ambos os lados e registre separadamente a entrada e a saída: II como aferente e III como eferente pupilar
- V1 aferente e VII eferente corneano
- VIII aferente vestibular e III/IV/VI eferentes do VOR
- 2
Procure sinais longos e cerebelares para decidir tronco versus base do crânio.
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Resposta esperadaNervo craniano ipsilateral mais déficit motor/sensitivo contralateral favorece fascículo/núcleo no tronco; ataxia aponta pedúnculo/cerebelo. Múltiplos nervos sem sinais longos favorecem base do crânio, órbita ou seio cavernoso, conforme a combinação.
Pontos indispensáveis- Nervo craniano ipsilateral mais déficit motor/sensitivo contralateral favorece fascículo/núcleo no tronco
- ataxia aponta pedúnculo/cerebelo
- Múltiplos nervos sem sinais longos favorecem base do crânio, órbita ou seio cavernoso, conforme a combinação
- 3
Em diplopia, descreva posição do olho e direção de piora antes de nomear o nervo.
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Resposta esperadaAntes do nervo, descreva se o olho está desviado, ptose/pupila, se a diplopia é horizontal, vertical ou torsional e em qual direção piora. VI piora em abdução do lado afetado; IV em depressão do olho aduzido; III combina limitações múltiplas.
Pontos indispensáveis- Antes do nervo, descreva se o olho está desviado, ptose/pupila, se a diplopia é horizontal, vertical ou torsional e em qual direção piora
- VI piora em abdução do lado afetado
- IV em depressão do olho aduzido
Base de aprofundamento: Moore, Dalley & Agur · Anatomia Orientada para a Clínica · Machado & Haertel · Neuroanatomia Funcional. Consulte a edição disponível em português e as fontes específicas ao final do módulo.
Doze pares em quatro grupos
Aprender por função permite reconstruir o exame mesmo quando a lista é esquecida.
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Aprender por função permite reconstruir o exame mesmo quando a lista é esquecida. A sequência reúne: Sensorial: I, II, VIII → Olhos: III, IV, VI → Face: V, VII → Bulbares: IX, X, XI, XII.
Pontos indispensáveis- Sensorial: I, II, VIII
- Olhos: III, IV, VI
- Face: V, VII
- Bulbares: IX, X, XI, XII
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Visão geral conceitual dos sistemas visual e auditivo-vestibular; estações, cruzamentos e déficits são detalhados nas aulas.
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Primeiro oriente a imagem; depois nomeie estruturas, relações e mecanismo. Clique para ampliar e só então use a pergunta como teste.
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Na vista ventral reconhecem-se pedúnculos, ponte, pirâmides e olivas; a seta está sobre a oliva bulbar. XII emerge no sulco pré-olivar, enquanto IX, X e raízes cranianas de XI aparecem no sulco pós-olivar.
Pontos indispensáveis- oliva bulbar assinalada
- pirâmide medial à oliva
- sulcos pré e pós-olivar para nervos cranianos
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A seta aponta a fissura orbital superior. Ela transmite III, IV, V1, VI e veias oftálmicas; relações com o anel tendíneo comum explicam combinações motoras/sensitivas. O canal óptico, separado, transmite II e artéria oftálmica.
Pontos indispensáveis- fissura orbital superior assinalada
- III, IV, V1 e VI
- canal óptico separado
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É um corte pontino: quarto ventrículo dorsal, base pontina volumosa e conexões cerebelares ajudam a definir o nível. A estrutura exata apontada deve ser conferida no gabarito original antes de nomeá-la.
Pontos indispensáveis- quarto ventrículo dorsal
- base pontina ampla
- pedúnculos/conexões cerebelares
Pegadinha: Não usar apenas uma seta sem chave para atribuir um núcleo específico.
Sorriso torto ao acordar
Paciente não enruga a testa nem fecha o olho direito e apresenta queda da comissura direita. Força dos membros é normal.
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Toda hemiface acometida indica padrão periférico Ausência de outros déficits reduz probabilidade de lesão hemisférica ampla Localização: núcleo/fascículo do VII na ponte ou nervo facial periférico
Pontos indispensáveis- Toda hemiface acometida indica padrão periférico
- Ausência de outros déficits reduz probabilidade de lesão hemisférica ampla
- Localização: núcleo/fascículo do VII na ponte ou nervo facial periférico
Pérolas para levar
Reflexos testam dois nervos de uma vez
Diplopia desaparece ao cobrir qualquer olho
Anisocoria deve ser comparada no claro e no escuro
Quiz · Nervos cranianos
Cinco questões. Você domina o nó com 60% ou mais.
Para aprofundar
Conteúdo educacional baseado no acervo de Neurociências do projeto e nas referências indicadas. Não substitui supervisão clínica ou protocolo institucional.